estilo de vida

Photo by Jazmin Quaynor

“Inflacionar o estilo de vida” é a tendência que todos nós temos de começar a gastar mais assim que temos algum dinheiro extra (ou mesmo antes disso).

É muito fácil sucumbir à inflação do estilo de vida, mas ao mesmo tempo é muito fácil de evitar. Às vezes está tudo certinho e, do nada, você percebe que tem uma graninha sobrando. O que você faz com ela?

Ou, na maioria das vezes, você nem percebe que tem essa graninha sobrando, mas você gasta do mesmo jeito.

Por que a gente faz isso?

Por que gostamos de achar que estamos “crescendo” ou “progredindo” nas nossa vidas ou na nossa carreira. Porque achamos que “merecemos” mais. Porque nunca estamos felizes com nossas escolhas ou nossas vidas ou qualquer outra coisa.

Porque queremos nos comparar com os nossos vizinhos. Temos a tendência de só nos compararmos com quem “está indo melhor” que a gente, pelo menos na nossa impressão. Ninguém diz “Ah, eu sou tão feliz porque levo uma vida melhor que meu vizinho”. Mas muita gente fala “Quando eu tiver o mesmo carro/casa/piscina/emprego que os vizinhos, aí sim eu vou ser feliz”

Em inglês existe uma expressão que é “keeping up with the Joneses”, que quer dizer mais ou menos “acompanhando os Silva” — ou seja: tentando ser e ter o mesmo que o outro.

Eu, vítima de mim mesmo

Aconteceu que a minha família acabou sucumbindo à inflação do estilo de vida. Foi assim:

A gente achou alguém que cozinha super bem, e ela está começando uma empresa de entrega de marmitas congeladas. Aqui no Canadá todo mundo leva marmita pro almoço, porque não tem restaurante por quilo e porque os restaurantes que tem são só de sanduíche e pizza, e ainda por cima são caros! Como com qualquer outra mudança nas nossas vidas, a gente sentou e discutiu se valia a pena. Colocamos tudo no papel (incluindo o alívio do estresse em parar de cozinhar) e chegamos à conclusão de que gastaríamos menos comprando marmitas do que gastamos no supermercado todo mês.

Parece ótimo, não é?

Bom, não exatamente. Afinal de contas, somos seres humanos e temos cérebros humanos. Vai vendo…

A gente fazia compras de mercado em um mercado chamado Maxi, aqui em Montreal. O Maxi tem bons preços e um bom mix de produtos, marcas que gostamos e confiamos, esse tipo de coisa. Não é super perto de casa, mas a gente tem um orçamento mensal para “táxi do supermercado”. Íamos de ônibus até o mercado (uns 5-10 minutos) e voltávamos de táxi. Tudo isso dá uns $10.

Acontece que tem um outro mercado, Metro, que fica a umas quatro quadras de casa. É um daqueles mercados chiques, com frutas melhores, carnes melhores, lojas mais bonitas, padaria e tudo o mais que o dinheiro pode comprar. Como você deve ter adivinhado, esse Metro é mais caro que o nosso Maxi de sempre. E não tem “batemos o preço da concorrência”, como o Maxi.

Só hoje…

“Já que estmoas economizando dinheiro comprando as marmitas, a gente podia dar uma olhadinha no Metro essa semana, só pelos extras e por curiosidade”, eu falei.

A primeira vez foi ok. Estávamos encantados! TUDO no mercado pareceia mais chique que no Maxi. E claro que o preço também. Mas era só um teste, certo? Pegar um táxi pra voltar pra casa por 4 quadras parecia errado, mas estava frio e acabamos comprando um pouco mais do que conseguíamos carregar com sacolas.

Você já sabe onde essa história vai dar, né?

Corta para algumas semanas no futuro.

Depois de gastar quase $100 numa ida rapidinha ao Metro, minha esposa falou “Acho que a gente devia reavaliar as coisas e voltar pro Maxi”.

Eu estava feliz com a minha nova vida de cliente do Metro! As pessoas lá até parecem mais ricas! Os produtos tem melhor aparência! Até os empregados do mercado pareciam mais felizes! mas aí chegou o fim do mês e o meu castelo de cartas caiu…

Choque de realidade

Todo fim de mês a gente revisa e ajusta o nosso orçamento doméstico. Nós registramos cada gasto que temos durante o mês num aplicativo chamado GoodBudget, e assim sempre sabemos para onde o dinheiro foi e onde pretendemos gastar no mês seguinte.

Os resultados eram claros como água: nós gastamos mais no Metro do que gastamos no Maxi nos meses anteriores, em média. Adicione aí o custo das marmitas e nosso orçamento de mercado do mês foi por água abaixo.

Só a ideia de economizar com as marmitas acabou nos enganando que poderíamos bancar um upgrade pro Metro. Talvez até pudéssemos, mas daí teríamos que analisar e verificar e mudar o nosso estilo de vida atual e a maneira como fazemos compras no mercado.

É bacana ter baguetes no café da manhã? Certeza! Precisamos disso? Certeza que não. Nós temos uma máquina de pão que faz pães perfeitos, e todo mundo adora! Ou será que a Coca do Metro é mais gostosa do que a do Maxi? Tenho certeza que não…

Nós voltamos a fazer compras no Maxi. Mas uma coisa é certa: as marmitas congeladas vieram pra ficar!

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